Na Bahia, a segunda quinta-feira do ano é sagrada. É dia de calçar tênis, enfrentar a paleta sob o sol a pino, subir a colina, tomar banho de alfazema e pedir proteção ao Senhor do Bonfim ou a Oxalá (ou aos dois mesmo, porque proteção nunca é demais).
E lá fui eu cumprir o ritual. Combinei a caminhada com Lisbelê, mas fomos de carro até o Barbalho. Depois de um engarrafamento tenso numa subida – Lisbela insistiu na meia embreagem o tempo inteiro – estacionamos o carro e descemos a Ladeira da Água Brusca a pé. Economizamos, assim, uns quatro quilômetros de um total de oito. Só de ida.
A rua estava tranqüila, apesar da grande quantidade de gente. Tinha de tudo: filhos de Gandhi, baianas, políticos (muitos!) e ambulantes vendendo de churrasquinho a birinight. Guardei meu dinheiro no bolso de trás da bermuda e só tirei de lá pra comprar água. O caminho era longo, decidimos deixar a cerveja pra depois. Aceleramos o passo pra alcançar o cortejo, a tarefa era chegar a tempo de ver a lavagem das escadarias e, com sorte, ainda tomar um banho abençoado.
E conseguimos. Chegamos, amarramos fitinhas na grade que cerca a igreja, rezamos e cantamos várias vezes o hino do Senhor do Bonfim. Tomamos a primeira cerveja do dia com a sensação de missão cumprida. A esta altura já cheirávamos a alfazema dos pés à cabeça. Só faltava nos molhar com a água que as baianas carregam dentro dos jarros. Mas, logo que o governador e sua comitiva deixaram as escadarias da igreja, fomos providenciar o nosso banho. Foi difícil, afinal todas as baianas já haviam esvaziado seus potes. Por isso, quando consegui que algumas gotinhas fossem jogadas em mim, me senti abençoada e levantei as duas mãos em agradecimento: “amém, amém”. Foi nessa hora que percebi o meu bolso mais leve. Putz. Dei vacilo de gringa, pensei assim que conferi as duas únicas coisas que restavam no bolso: um chiclete Valda e um santinho de Santo Expedito. Okein. Segundo Lisbela, Senhor do Bonfim vai me dar em dobro. Amém, amém.
Na volta, enfrentamos um mar de gente, blocos e batucadas, na direção contrária. O povo ainda ia. O sol estava punk, um calor de enlouquecer e todo mundo andando e dançando, num ritmo só. Quando subimos a ladeira da Água Brusca, pegamos o carro e decidimos encerrar a maratona da maneira mais apropriadamente baiana: comendo acarajé. Eu, devidamente patrocinada, comi tudo que tinha direito. E terminei o dia assim: sem um puto na mão, mas com a alma lavada. Amém, amém.
E lá fui eu cumprir o ritual. Combinei a caminhada com Lisbelê, mas fomos de carro até o Barbalho. Depois de um engarrafamento tenso numa subida – Lisbela insistiu na meia embreagem o tempo inteiro – estacionamos o carro e descemos a Ladeira da Água Brusca a pé. Economizamos, assim, uns quatro quilômetros de um total de oito. Só de ida.
A rua estava tranqüila, apesar da grande quantidade de gente. Tinha de tudo: filhos de Gandhi, baianas, políticos (muitos!) e ambulantes vendendo de churrasquinho a birinight. Guardei meu dinheiro no bolso de trás da bermuda e só tirei de lá pra comprar água. O caminho era longo, decidimos deixar a cerveja pra depois. Aceleramos o passo pra alcançar o cortejo, a tarefa era chegar a tempo de ver a lavagem das escadarias e, com sorte, ainda tomar um banho abençoado.
E conseguimos. Chegamos, amarramos fitinhas na grade que cerca a igreja, rezamos e cantamos várias vezes o hino do Senhor do Bonfim. Tomamos a primeira cerveja do dia com a sensação de missão cumprida. A esta altura já cheirávamos a alfazema dos pés à cabeça. Só faltava nos molhar com a água que as baianas carregam dentro dos jarros. Mas, logo que o governador e sua comitiva deixaram as escadarias da igreja, fomos providenciar o nosso banho. Foi difícil, afinal todas as baianas já haviam esvaziado seus potes. Por isso, quando consegui que algumas gotinhas fossem jogadas em mim, me senti abençoada e levantei as duas mãos em agradecimento: “amém, amém”. Foi nessa hora que percebi o meu bolso mais leve. Putz. Dei vacilo de gringa, pensei assim que conferi as duas únicas coisas que restavam no bolso: um chiclete Valda e um santinho de Santo Expedito. Okein. Segundo Lisbela, Senhor do Bonfim vai me dar em dobro. Amém, amém.
Na volta, enfrentamos um mar de gente, blocos e batucadas, na direção contrária. O povo ainda ia. O sol estava punk, um calor de enlouquecer e todo mundo andando e dançando, num ritmo só. Quando subimos a ladeira da Água Brusca, pegamos o carro e decidimos encerrar a maratona da maneira mais apropriadamente baiana: comendo acarajé. Eu, devidamente patrocinada, comi tudo que tinha direito. E terminei o dia assim: sem um puto na mão, mas com a alma lavada. Amém, amém.
